segunda-feira, 4 de julho de 2016

Vamos fazer barulho!

"Tome partido. Neutralidade ajuda o opressor, nunca a vítima. Silêncio encoraja o torturador, nunca o torturado."
(Elie Wiesel, sobrevivente de Auschwitz, Nobel da Paz, que morreu dia 02/07/2016 aos 87 anos)


Acabo de ler isso na página de um amigo no Facebook.

A semana foi recheada de fatos com mortes e atentados horríveis à vida humana. Fazer uma homenagem a quem sobreviveu ao horror de um campo de concentração e extermínio é o mínimo. Memória.

Tantas agressões em nome de outros sentimentos que não o puro ódio, a pura ignorância. Agressão em nome de Deus, em nome de uma raça pura, em nome verdade, em nome do machismo. Só preconceitos e ilusões.

Mas, como nem tudo são flores ou bombas, tive uma experiência prazerosa em um trabalho que divido agora.Fui chamada a gravar uma locução em homenagem à Luiza Brunet, vejam só.
Ela é a embaixadora do Instituto Avon que defende a mulher brasileira em duas causas: o fim da mortalidade pelo câncer de mama e o combate à violência doméstica. 
Quando foi alçada a esta função disse querer "representar a força da mulher brasileira que deseja e merece ser completa: ter beleza e saúde, ser respeitada, admirada e ter autonomia dentro da família e da sociedade".

Indo à agencia onde gravei o trabalho, fui orientada e recebida por uma pessoa de dentro da Avon que esteve em varias ocasiões com a própria Luiza em eventos e situações envolvendo o Instituto. A conversa, após acertarmos o briefing do trabalho e realizarmos a gravação, versou sobre a simpatia, a delicadeza, a total disponibilidade de Luiza em dar atenção a todos, autógrafos, fotos, carinho mesmo. Uma mulher de verdade. Sem frescuras e muita simpatia.


Saí de lá pensando em Luiza, esse nome que é pura música, a sua figura bela, lembrei de seu sorriso. Pensei em quão alegre ela parece, satisfeita com a vida que tem. Pensei no fato de ela não ter se tornado mais uma celebridade descartável, um arremedo da beleza que já foi, entupida de plásticas, batons melados escorrendo e situações infames. Discreta, bela, simples.

É Luiza , eu gosto de você também, pensei. Agora um pouco mais.

Tempo.


Dia seguinte a bomba: Luiza agredida pelo companheiro. Como?

A Luiza? Levou um soco? Chutes? Costelas quebradas?
Como assim?  E ela veio a público. Um mês depois? Porque só depois desse tempo todo? 
Isso não fui eu quem perguntou. Porque eu sei, como mulher agredida que fui, que os sentimentos são muito confusos nessa hora. Ambiguidade. É uma situação pra lá de insólita ver no companheiro que lhe acariciava, a quem você dedicava sua atenção e amor, que você esperava que lhe estendesse a mão em momentos necessários da vida,  um agressor estúpido sem escrúpulos, e por muitas vezes sádico, tirando certo prazer na submissão que está impondo a você naquele momento.

Só assim é que esse tipo de "torturador" se sente no comando. No domínio da situação. Mulher machucada, agredida, desacordada, acuada, com medo. Submetida à sua "força".


E a agressão, a tortura, começa sempre mansa. Agressões de costelas quebradas, olhos roxos sao perigosas e cruéis, mas a agressão verbal, psicológica é muito devastadora.


Daí muitas vezes o silêncio do torturado. O bombardeio psicológico desprepara a pessoa para a reação à agressão. Como ocorreu na história com povos e comunidades, submetidos pelo medo, pelo sentimento de fraqueza inculcado objetivando sua destruição.


Vamos dar voz e força aos agredidos e torturados. Que nossa memória registre essas histórias e que tomemos partido claro nessas situações.  Tomar partido, posição, nos induz a pensar profundamente sobre os fatos, trazê-los para o cenário hipotético de nossas vidas (empatia eu diria), chegar à conclusões e comprometimento consigo mesmo e com a sociedade. 

Comprometimento, palavra que tem origem no termo latino compromissus, que indica o ato de fazer uma promessa recíproca, baseada na responsabilidade implícita nesse ato.












terça-feira, 28 de abril de 2015

Vozes para sempre.


Para mim esses últimos dias não foram fáceis.
Ficando com as vozes dos que se foram em minha mente.
Quem os conheceu sabe como elas eram.
Vladimir Capella
Roberto Talma
Antônio Abujamra.

Esses seres pontuaram minha vida. Me instruíram e me colocaram em lugares que eu nem sabia poderiam existir.
Com suas criações me levaram a viver sob a atmosfera que sempre amei: a pele e a alma de outros seres, os personagens.
A voz de cada um deles está em minha memória. Não essa tecnológica, mp3, ou mp4, mas na memória que eu não tenho como compartilhar.
Esses arquivos sonoros tão preciosos com registros de suas vozes, suas brincadeiras, suas recomendações, gritos e`as vezes broncas.
Diretores.
São espelhos. Espelhos em que os atores olham o tempo todo. Para sua aprovação. Mas ouvimos muito mais as suas recomendações do que olhamos para seus olhos. Muita atenção. Disciplina. 
Por isso o que mais forte deles tenho guardado, além de um ou outro registro fotográfico, são os timbres, as cores de suas vozes.
Seus RGs verdadeiros. Únicos.
Como fantasmas da recordação e da saudade vou carregá-los até o meu próprio fim.
Meu presente. Minha herança, que compartilho somente com aqueles que com eles conviveram.
Quando nos encontrarmos, nós os amigos que ficamos aqui, poderemos falar de suas atitudes, a genialidade de cada um. Fatos mais marcantes que ocorreram. Coisas engraçadas.
Mas o som de cada uma de suas vozes estarão arquivados com cada um de nós, individualmente.
Herança particular. Especial.
Saúdo cada um de vocês , meus diretores queridos e agradeço profunda e sinceramente. Em meu nome e em nome de tantos atores que, como eu,  foram tocados pelo dom maravilhoso de cada um de vocês de ver e perceber o mundo de uma forma diferente e particular .
O mundo com vocês tornou-se mais rico e mais vibrante.
Minha eterna gratidão
Vladi, Talma e Abu.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

2015 vai começar!

Dia 12 de fevereiro de 2015, quinta-feira

Um dia antes de iniciar o Carnaval, festa da carne que não resistirá se não houver água, alimento, bom senso, saúde, trabalho, educação.

Quem consegue sambar até cair, se não conseguir ficar de pé? Se não tiver comida no prato, se não conseguir alimentar seus filhos? Se não tiver nem dimdim prá comprar birita? Quem?

Tá faltando muita coisa.
O Brasil está `a deriva. Saiu na imprensa, no fim do ano passado,  uma " Oração da Nau `a deriva"  de Lya Luft que cravou uma dúvida em seus leitores e na opinião pública: o veículo em que ela escreve e sua editora é que estão sem rumo e sem leme, ou é a Nação brasileira? Ou os dois? Ou tudo? Ou todos nós nesse mar de incertezas e de aspectos negativos em que estamos navegando?

 " Dá-me, Senhor, águas limpas para navegar, pois nestas em que navego boiam algas e sujeira e até cadáveres que se prendem na minha quilha ou impedem a hélice de funcionar: flutuo devagar, inclinada, num mar morto, à beira de um naufrágio. Não adianta mentir, nem inventar que estou bem, pois estou naufragando em águas turvas com milhares e milhões de passageiros em meu bojo, a grande maioria dos quais não faz a ideia do que realmente acontece. Meus madeirames  estalam e tremem, mesmo assim há quem diga que estou em boas condições, que os malefícios são mentiras, que tudo está controlado. Contra a mentira e a mediocridade generalizadas, e a resignação de tantos de meus passageiros, iludidos  ou desinteressados, preciso de tua ajuda."      

Lya Luft em "Oração da nau `a deriva"

Os grifos são meus.
Como se sentir bem, estando consciente de tanta miséria, desmando, corrupção?

Tenho encontrado e conversado com pessoas de talento, brilhantes até, com seus projetos, empresas, negócios, todos "desacorsoados", como dizia minha avó Lydia.
Desanimados, desesperados, muitas vezes.
Os empresários estão de cabelo em pé. Reles mortais estão sem dinheiro pra nada.  E muitos ditos ricos, mortais, também. Só operando no crédito.

O consumo, que é a base desse sistema equivocado, está correndo risco.
Toda cadeia produtiva pode parar. Sem consumidores. Sem água. Sem recursos naturais. Sem comida suficiente, Sem oportunidade de trabalho. De mobilidade. Sem energia elétrica. Sem.
Estagnação. Vai parar? Sair `as ruas? Protestar?

Sim, o Brasil para mais uma vez, mas para ceder ao circo, `a festa e ir ao Carnaval.

Nunca vi. Se tem algum parente ou pessoa muito próxima ou querida doente, seja em casa ou lá onde for que o coração dói de pensar, a gente consegue dar festa? Sair dançando, vestindo fantasia?  Sair pra brincar o Carnaval, como se dizia, cheio de purpurina?

O país, moribundo que está, vai passando, tomara, por uma desintoxicação. Mazelas vindo `a tona.
De suas veias levaram desde o sangue do Pau- Brasil até a última gota de dignidade enfiada em contas nos paraísos fiscais.
E, mãe gentil,  os filhos de seu solo que não fogem `a luta, estão vestidos de dor, cansaço, fome, vergonha até.

O padrão de consciência dos brasileiros precisa ser alterado. Evoluir. Sem isso, não conseguiremos mudar essa realidade.

Trazer honestidade. Prosperidade. Distribuir a abundância desta terra que nos deram e por si só é uma benção. Rica. Muito rica. Voluptuosa por natureza. Verdes, amarelos, azuis, vermelhos, sons de todos os ritmos, gente de todo jeito, toda cor, som e sabor.

O que me enfuna as velas, me mantém no curso nesse mar infestado, ainda é o Amor. O abraço verdadeiro. A palavra amiga. A vontade de ser justa e sempre querer ajudar.

A dança da vida vivida com harmonia em conjunto. Orquestra. Cada com sua função indispensável para a execução da obra.
Quem sou eu, quem somos nós, neste planeta em 2015?  Qual o meu propósito, o seu?

A prosperidade advém de uma troca mútua. Quem contribui para a fartura e equilíbrio do mundo terá o mesmo em sua vida.

Carnaval, passa!  Que venha 2015!

Quero dançar até subir!



"A Dança" , Henri Matisse  -  1910

Acredita-se que a ideia da composição surgiu em 1905, enquanto o pintor observava pescadores a realizar uma dança de roda, a "sardana", numa praia do sul da França.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Água e vida! Water no get enemy!

Água,  assunto hoje em todos os meios de comunicação em nosso país ou a falta dela. Bem aqui, no Brasilzão que tem a maior reserva hídrica de água doce do planeta: 12% da água doce superficial corre em nossos rios. Hoje sofremos, inclusive na região centro-oeste e sudeste, com sua escassez. A natureza está pedindo a conta `a civilização humana.
Sem água não há vida. Ponto. A ela, ninguém pode se opor. É a lei natural. 

Trago hoje uma música que usa a água como metáfora de liberdade e poder daquilo que deve seguir seu curso, naturalmente. Como a liberdade a que qualquer  ser humano tem direito. Como a justiça, que é devida a todos os seres viventes. Elas devem ser de todos: a água, a liberdade e a justiça.

"Water get no enemy" de Fela Kuti, composta em 1975, é um símbolo dessa liberdade, pois possibilita várias interpretações e reflexões acerca de fatos atuais em qualquer local do planeta. É universal e atemporal e por isso um clássico.
Fela foi um guerreiro nigeriano que dedicou sua vida e sua música `a independência das regras impostas pela sociedade ocidental e seus sistemas opressores. Atuou contra padrões da indústria fonográfica, padrões sexuais, culturais, sociais e políticos.
Criou sua própria "república" e um estilo musical chamado Afrobeat (que tem sua base no funk étnico de James Brown)  e lutou contra a repressão ditatorial do governo da Nigéria, bem resumidamente. 

Em minha leitura, nessa canção ele canta o caráter essencial da água para a vida e saúde do ser humano. Ninguém pode se opor a ela, ninguém pode limitá-la. Tomá-la como inimigo é total insensatez. Aprisionada ela evapora, se transforma e surgirá em outro local, como correnteza ou até com mais força, como uma tempestade. Resistirá sempre para que possa haver vida em seu sentido pleno. 
Assim como a morte de Fela foi o estopim da explosão do Afrobeat no mundo e com este, a disseminação de seus ideais. Sua música avança livre, vaza para dentro dos corações e continua instigando o repúdio ao aprisionamento da mente humana como uma inundação necessária de sabedoria. 

Indico para quem quiser saber mais sobre Fela o livro lançado no Brasil pela Editora Nandyala em 2011, "Fela, essa Vida Puta" de Carlos Moore, cientista social cubano que foi seu amigo nos anos 70. 

Aproveite esse som poderoso, neste mês em que se comera o nascimento desse gênio musical, que foi Fela Anikulapo Ransome Kuti (Abeokuta, 15 de Outubro de 1938 -  Lagos, 02 de Agosto de 1997). Música clássica africana moderna.







quinta-feira, 7 de novembro de 2013




quarta-feira, 19 de junho de 2013

Going Nutz!

Criatividade, expressão, comunicação, arte.
Vozes muitas.
Falo agora, sobre o projeto em andamento  NUTZ - O Filme, um documentário sobre o universo do automobilismo, mais especificamente do antigomobilismo.
Não sabe o que é?
Antigomobilismo,  é o termo criado por Malcom Forest (um sujeito multitalentoso e ferrenho antigomobilista) e incluído por Roberto Nasser (um dos personagens do documentário em questão)  no dicionário Houaiss, para definir o movimento que congrega apaixonados por automóveis antigos.

Desde sua criação, o automóvel é objeto de curiosidade, estudo e desejo do homem. A máquina que transgrediu as relações de espaço-tempo na sociedade desde o século XIX, tendo seu ápice no século XX, transformando a vida deste planeta em seus múltiplos aspectos.
Família, trabalho, cultura, sexo, arte, design, cinema, economia, dentre outros, afetados e transformados pela velocidade, pelo movimento e tudo que isto implica.

Pois bem,  em  NUTZ, trabalho como assistente de direção de Dino Dragone, pai da ideia e argumento do filme.
Porque NUTZ? O que tem a ver isso com o papo acima de antigomobilismo?

Nutz explora justamente esse universo dos autos antigos através de um olhar multidisciplinar, com foco no sujeito antigomobilista. Personagens complexos que têm suas existências impregnadas e entrelaçadas com este amor desenfreado e culto ao automóvel, principalmente o antigo.

Suas vidas são tomadas por completo por essa paixão, essa ligação profunda, desde a infância, com  o automóvel. Por isso, são chamados de malucos. Nutz, enfim!
`Aqueles que vivem ao seu lado, não restam outras alternativas a não ser compartilhar, ou ao menos entender, essa paixão. Senão...

Carros, brinquedos de gente pequena e grande, máquinas incríveis, história, cultura, design, preservação de patrimônio histórico-cultural, modo de vida, sociedade, família, sonhos, desejos, dramas, humor, dinheiro, amor.  Um quebra-cabeça com 12 nomes, prá você refletir : quem é mesmo louco em nossa sociedade? O que é "ser normal" ?

O documentário está em fase final de captação de imagens. Acredito que em mais uns 4 meses, terei novas notícias sobre a finalização do projeto.
Aqui mais informação:  https://www.facebook.com/nutzfilme/info

Lançamos o teaser de número 6 que traz Ricardo Petito, um camarada genial, que criou um modo particular de viver a cultura Low Rider em São Paulo,  transcendendo a sua vida como pai de família e trabalhador, realizando sonhos, vivendo emoções impensadas para muitos "normais" e, principalmente, sendo feliz!
Com vocês, Ricardo Petito, O Pesadelo Low Rider!


video





sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O homem da Voz de Ouro

Já se falou muito sobre o poder do som modificando o humor de ambientes ou de uma voz vendendo produtos, seduzindo, trazendo paz ou discórdia entre pessoas, povos e nações.
Frequências sonoras influenciando o comportamento de células, como nos mostrou Fabien Maman através de seus estudos (preciso tocar nesse assunto em breve!).
Pois a voz também pode transformar toda a vida de uma pessoa.
Ted Willians viu sua vida de adolescente apaixonado pelo rádio com uma promissora carreira de locutor, virar pó, quase que literalmente.
Depois de ter levado uma vida dita normal, com casamento, filhos, trabalho, Ted não segurou a onda da própria cabeça e passou a se drogar e beber, indo viver nas ruas à custa de esmolas, destruindo assim as chances de usar o seu "dom divino", sua impressionante voz, para um ofício e uma vida em sociedade. Em algum momento deu um 'clique' em sua cabeça, conseguiu sair das drogas e alcoolismo, disse que encontrou Deus e foi para as ruas novamente, desta vez, pedindo trabalho, com uma placa de papelão dizendo mais ou menos assim: Deus me deu o dom da VOZ, sou ex-locutor e tive problemas na vida e agora, por favor, me ajude a arrumar um emprego. 
No cruzamento onde ele ficava, passou um dia um repórter que disse: Ok man, então me mostre seu dom! E Ted  lascou o vozeirão com uma vinheta de rádio improvisada.
Tudo podia ter ido até aí, mas o nosso amigo repórter foi mais longe e não só gravou o  tal "teste" como postou o vídeo no Youtube. Logo milhões de cliques se sucederam para conhecer a VOZ DE OURO de Ted Willians. O legal de tudo isso foi a postura do repórter que não postou a história em tom jocoso ou displicente, mas sim ofereceu a oportunidade de levar o talento natural do locutor ao conhecimento de quem pudesse ajudar, fazendo um acompanhamento do desenrolar da história de resgate do homem da Golden Voice. E o feedback foi incrível: inúmeras pessoas se dispuseram a ajudar e eis que o nosso ex-morador de rua ganhou fama, trabalho, casa e dinheiro.
Um milagre? Não. Ação. Atitude. Poderíamos falar sobre o poder da internet e do jornalismo colaborativo, mas aqui não é o lugar. O assunto é a VOZ.
E a voz dele, sozinha, é um dom? Pode até ser, mas um dom que não cumpre sua missão, se quisermos colocar um pezinho no terreno da transcendência. O dom morava em uma mente fora do ritmo e se perdeu, não alcançou o tom. Morreu ali, sem reverberação.
Um instrumento sem afinação, com a caixa de ressonância estragada, com a madeira apodrecida ou com o metal enferrujado ou torto,  não cumpre seus objetivos sonoros, não executa as notas que têm que ser tocadas.
Assim também uma Voz com a qualidade excepcional, como a de Ted, morando em uma mente distorcida pelas drogas, em um corpo perdido na auto-destruição, não vai além de sua qualidade física.
A voz de ouro, o dom, ficam então como apenas uma possibilidade que não se cumpre, um milagre que não acontece. Porque ter um dom e uma vida por si só, já é um milagre.
Muito bem. Ted se livrou dos vícios e mostrou, como se pode perceber assistindo aos vídeos, que além da Golden Voice,  é dono de uma excelente capacidade natural de expressão e comunicação, e claro, força de vontade aliada à ação, no caso dele tão simples como ir às ruas fazendo a publicidade do seu ouro, numa placa de papelão escrita a carvão.
Sem uma 'mente ativa', sem idéias, uma voz humana é apenas o eco de algo que poderia vir a ser.
Ted já tinha ouvido algo parecido em sua adolescência quando foi procurar um DJ de uma rádio local para se aconselhar sobre a profissão que almejava seguir. Sábias palavras ele proferiu: 
"Radio is defined as theater of mind"
Parabéns Ted!


sábado, 14 de agosto de 2010

A voz e as cores do Jazz - "Jazz on a Summer's Day" (1960)

Quando você fica à noite naquele estado de hipnose, sabe? 
Quando você persegue um assunto pela world wide web, querendo saber tudo sobre ele? 
Então numa dessas noites, eu perseguia Sonny Stitts e caí neste vídeo do Youtube. 
No início, você não sabe o que vai ser, um segundo depois você acha que já sabe e diz: 
- Ah! olha aí o Sonny  tocando e tals! Isso!...
Mas  que nada, inicia uma sequência de imagens de veleiros, água...Hum? 
Bom é isso mesmo. Daí que este vídeo é um trecho de um documentário lançado em 1960 "Jazz on a Summer's Day"que captura imagens do Newport Jazz Festival em 1958 mixando as performances dos músicos, dia e noite, com imagens da cidade e dos preparativos para o festival além de cenas de uma competição de veleiros. 
Takes da água em movimento, assim como o som que rolava ali, livre correndo solto, dentro de uma "ordem" natural e orgânica das coisas!
O diretor é Bert Stern, aquele mesmo, o fotógrafo de moda e celebridades que fez as fotos de Marilyn Monroe para a Vogue, 6 semanas antes dela morrer.
A minha busca por Sonny continuou e ouvi muitos sons outros sons.
A sua discografia é imensa... Outra história.


Agora quero o DVD! Quem tem?


sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Vox populi!? Vox dei?

A voz do povo é a voz de Deus?
Hum...
Todas as atenções hoje se voltaram para o resultado celebradíssimo da vitória (?) do Rio de Janeiro para sediar as olimpíadas de 2016.
Hoje em segundos o Facebook ficou lotado de exclamações ufanistas. Gente do Rio de Janeiro, de outros Estados.
Agora só se falará disso. Eu sei.
E tenho medo de assistir ao Jornal Nacional hoje. Ave porre!
Viva o Rio! Vencedor! Humpf! Pelo menos distribuíssem as batatas de Machado ao pessoal que tem pressa e fome de viver... vampiros do tráfico.
Mas será que é motivo de celebração? Mesmo?
Em tempos de podridão nesse nosso amado Brasil, ou antigo reino da Pindurama, (todo mundo pindurando tudo quanto é conta, liquidez zero!) ou também conhecido como Terra dos Papagaios (nome muito mais apropriado, pois só se consegue pagar o altíssimo custo de vida e impostos acachapantes, na base de empréstimos!), todos se esquecem do fedorzinho que exala do planalto e preferem jogar um sprayzinho prá tapear e continuar a viver suas vidinhas mais ou menos de classe média.
Pão e circo. Mas até então só pressinto o circo e a palhaçada, perdoem- me os profissionais do nariz vermelho. Pão, nada. Ou se nada, está putrefato, pela contaminação das águas da Baía da Guanabara. Será que em 6 anos estará despoluída?
Bem, mas quem sou eu prá me arvorar à crítica desta vitória?
Só mais uma voz.
Resolvi então partilhar um artigo de Janio de Freitas - escrito antes de se ter o resultado - na Folha de São Paulo, com aqueles que não leram o jornal hoje ou que não têm acesso ao seu conteúdo na Internet.Prá pensar! Concorrências, licitações, aí tem mais coisa reunida!
Sim, porque não se esqueçam dos aviões e da parte bélica! Esqueceu-se? Ah!Os aviões!?
E não estou falando da Juliana Alves - capa da Revista Playboy deste mês -  que é um avião claramente, e não um canhão. 
Vai, leia. E pense com mais cuidado.
Depois solte a voz.
Tem mais gente que comentou ...


Aqui: http://albertomurray.wordpress.com/ (assista ao vídeo que se encontra no post de 1º de Outubro) e aqui: http://www.eduardofischer.com.br/blog/


E também em vários outros sítios. Só procurar.


Abaixo o artigo de Janio de Freitas.
----------------------------------------------------------------


Folha de São Paulo, 02 de Outubro de 2009 - caderno Brasil.


JANIO DE FREITAS
As concorrências do dia


Na disputa pela Olimpíada de 2016, muita coisa sugere que a vitória verdadeira dos cariocas estará na derrota.


AS DUAS CONCORRÊNCIAS que têm no dia de hoje um marco importante -uma como ponto de chegada e a outra como ponto oficial de partida- exibem três aspectos em comum: são controvertidas, têm custos desproporcionais às disponibilidades e não correspondem a necessidades reais. Olimpíada e avião de caça, não sabíamos, são bem parecidos.
Na disputa do Rio pela Olimpíada de 2016, muita coisa sugere que a vitória verdadeira dos cariocas estará na derrota. Olimpíadas exigem gastos monstruosos.
O Pan, de exigências e dimensões insignificantes em comparação com uma Olimpíada, em vez do propalado lucro deixou um fundo rombo no Rio, no Estado do Rio e no governo federal. Com esse montante jamais informado à sociedade pelos três governos, deixou também um rastro de falsos orçamentos, superfaturamento e gastos injustificáveis que ficaram na mais absoluta impunidade, mesmo nos casos comprovados pelo Tribunal de Contas da União ao fim de dois anos de protelação. E vários dos responsáveis pelo Pan são agentes da Olimpíada.
Só para chegar à decisão de hoje em Copenhague, a estimativa é que já foram gastos entre R$ 150 milhões e R$ 200 milhões, o que já oferece pistas em diversos sentidos.
O Estado do Rio não tem dinheiro para bancar a sua parte em uma Olimpíada, como evidenciam as infinitas necessidades, gritantes na maioria, para as quais também não tem. Entre o disponível e as necessidades, a situação da Prefeitura do Rio não é melhor.
A Olimpíada significa, portanto, dois efeitos simultâneos sobre as duas administrações: deslocamento de verbas para os altíssimos custos e endividamento a comprometer fluminenses e cariocas por longo período. E essas obras de Olimpíada não trariam para o Rio as melhorias alegadas, porque nada têm a ver com as necessidades prioritárias. Assim como, para a cidade, as tais melhorias a serem deixadas pelo Pan só deixaram gastos. Os quase dez meses de Eduardo Paes têm dado à administração da cidade movimentação e atenções que havia muito não se viam. Ainda nem tanto em termos de resultado, mas de clima, esse é um fator muito positivo que, em vez de ampliar-se para provocar uma grande virada, seria interrompido, pela concentração de todo o empenho municipal na preparação da Olimpíada. E, cá entre nós, depois da grandiosidade e da beleza estupenda da Olimpíada na China, a pretensão de fazer uma por aqui não é ideia das mais equilibradas, não. Mas interesses, é claro, são outra história.
Os nossos atletas dos negócios olímpicos foram-se para as alturas do Hemisfério Norte e de lá vieram os representantes da Boeing, que fica no extremo noroeste dos Estados Unidos, e da Saab, que é na Suécia. Estes, mais do que para fazer hoje a entrega das propostas de seus caças, por preocupação com as reiteradas manifestações do governo brasileiro pelos aviões franceses. Já os representantes da Dassault -messieurs Sarkozy, Lula e Jobim- estão despreocupados até da queda em má hora de dois dos seus produtos. Na expressão sucinta e grossa de monsieur Jobim, "não tem a ver", e ponto.
Mas tem. Nelson Jobim diz que a intenção é dar tudo por resolvido em dezembro. Encerra-se o prazo das propostas, porém, sem que a recente queda de dois caças da Dassault (Rafale) esteja explicada. O choque por erro humano é apenas presunção. A qual não exclui a hipótese, por exemplo, de que um súbito defeito levasse um dos caças a chocar-se com o outro, nos retornos que faziam juntos para o pouso. E não é pouco estranho que os radares do porta-aviões Charles de Gaulle não tivessem registrado o choque dois caças, capaz de explicar ao menos o tipo de movimento que o causou. Sem esquecer que esse novo avião teve mais uma queda, em dezembro de 2007, também sem causa divulgada.
Tudo tem a ver em uma competição limpa, e atenta para os interesses legítimos do país. Seja pensando em confronto esportivo ou confronto bélico.

sábado, 27 de dezembro de 2008

A VOZ DA MINHA ALMA - O R U B O R U S

Fim de Ano.

Fim?

Oruborus, ciclo interminável...

Observar a vida ou qualquer tarefa mais complexa e longa,  sem conseguir  avistar o “fim”, só nos traz angústia, não é mesmo?

O que vem depois? Virá? Se vier estarei aqui para ver?

Se eu não vir, quer dizer que não acabou?

E se acabou? O quê?

Acabou a festa e eu fui mandada embora antes de cortar o bolo?

Eu nem vi o bolo!

Angústia da permanência.

Sofrimento à toa, que ronda as relações.

Mais um ano, quantos dias mais?

Eu vivo, eu morro, quem vai? Quem vem?

Você me ama, mas até quando?

A não! Amor é Amor...If it’s Love it’s 4 ever!

Mas e sexo, presença física, dedicação, companhia? Apoio?

Até quando eu “terei seu corpo”?

Deus! Até quando eu terei o MEU próprio corpo?

Será mesmo que eu tenho meu corpo, ou alguma vez possuí o seu, por mais juntos que eles estivessem ou por mais que eu tenha gerado o seu?

Sou dono do seu, do meu desejo?

Nunca.

Oruborus, ciclo interminável...

E Ciclo é movimento. Passagem.

Boas passagens, algumas outras nem tanto.

Hum...Depende do ponto de vista.

Ah! A vista... Eu não vejo! O Fim? Até onde?

Dá tempo? Tem prazo? Quando?

Tudo à prestação? Não posso esperar.

Qual o saldo?

Ensinei? Aprendi? Somei? Perdi?

Oruborus, ciclo interminável.

Eu-esperma-e-ovo, eu-célula, eu-sistema-pronto-para-funcionar.

Eu engatinho, engatilho, pronto: sou Jacqueline.

Eu corpo, mente, alma.

Eu-Oruborus, enchendo e esvaziando, respirando, em movimento para viver.

Até quando?

Eu pó.