sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Água e vida! Water no get enemy!

Água,  assunto hoje em todos os meios de comunicação em nosso país ou a falta dela. Bem aqui, no Brasilzão que tem a maior reserva hídrica de água doce do planeta: 12% da água doce superficial corre em nossos rios. Hoje sofremos, inclusive na região centro-oeste e sudeste, com sua escassez. A natureza está pedindo a conta `a civilização humana.
Sem água não há vida. Ponto. A ela, ninguém pode se opor. É a lei natural. 

Trago hoje uma música que usa a água como metáfora de liberdade e poder daquilo que deve seguir seu curso, naturalmente. Como a liberdade a que qualquer  ser humano tem direito. Como a justiça, que é devida a todos os seres viventes. Elas devem ser de todos: a água, a liberdade e a justiça.

"Water get no enemy" de Fela Kuti, composta em 1975, é um símbolo dessa liberdade, pois possibilita várias interpretações e reflexões acerca de fatos atuais em qualquer local do planeta. É universal e atemporal e por isso um clássico.
Fela foi um guerreiro nigeriano que dedicou sua vida e sua música `a independência das regras impostas pela sociedade ocidental e seus sistemas opressores. Atuou contra padrões da indústria fonográfica, padrões sexuais, culturais, sociais e políticos.
Criou sua própria "república" e um estilo musical chamado Afrobeat (que tem sua base no funk étnico de James Brown)  e lutou contra a repressão ditatorial do governo da Nigéria, bem resumidamente. 

Em minha leitura, nessa canção ele canta o caráter essencial da água para a vida e saúde do ser humano. Ninguém pode se opor a ela, ninguém pode limitá-la. Tomá-la como inimigo é total insensatez. Aprisionada ela evapora, se transforma e surgirá em outro local, como correnteza ou até com mais força, como uma tempestade. Resistirá sempre para que possa haver vida em seu sentido pleno. 
Assim como a morte de Fela foi o estopim da explosão do Afrobeat no mundo e com este, a disseminação de seus ideais. Sua música avança livre, vaza para dentro dos corações e continua instigando o repúdio ao aprisionamento da mente humana como uma inundação necessária de sabedoria. 

Indico para quem quiser saber mais sobre Fela o livro lançado no Brasil pela Editora Nandyala em 2011, "Fela, essa Vida Puta" de Carlos Moore, cientista social cubano que foi seu amigo nos anos 70. 

Aproveite esse som poderoso, neste mês em que se comera o nascimento desse gênio musical, que foi Fela Anikulapo Ransome Kuti (Abeokuta, 15 de Outubro de 1938 -  Lagos, 02 de Agosto de 1997). Música clássica africana moderna.







Um comentário:

Nutz O Filme disse...

Água, arte e conhecimento. Gostei.